Aprender os acordes maiores do violão é um dos primeiros passos para tocar suas músicas favoritas no instrumento.
Esses acordes formam a base de inúmeras canções e possuem um som caracteristicamente alegre e brilhante, contrastando com os acordes menores mais melancólicos.
Neste artigo, vamos conversar de maneira simples sobre o que são esses acordes, como identificá-los, as formas de tocá-los no violão e dicas práticas para ajudar você a dominá-los.
Vamos lá?
Sumário do Conteúdo
O que são acordes maiores?
Em termos básicos, os acordes maiores são acordes que surgem da combinação de três notas específicas da escala: a nota principal (tônica), a terça com intervalo maior e a quinta justa, resultando no que chamamos de tríade maior.
No violão, formamos acordes pressionando certas cordas em determinadas casas com a mão esquerda, enquanto dedilhamos ou tocamos as cordas com a mão direita.
Os acordes musicais se dividem em vários tipos (maiores, menores, sétima, diminutos, etc.), mas os primeiros que aprendemos geralmente são os acordes maiores.
Os acordes maiores têm uma sonoridade reconhecida por transmitir sensação feliz e aberta. Costumamos descrevê-los como acordes de som “alegre” e “brilhante”.
Já os acordes menores, em comparação, tendem a soar mais emocionais ou tristes, com um tom levemente melancólico. Essa diferença de clima entre maior e menor é algo que você logo percebe conforme pratica.
A composição de um acorde maior (a tríade)
Mas o que faz um acorde ser “maior”? Isso tem a ver com a construção do acorde em si. Cada acorde maior é formado por três notas específicas, chamadas de tríade maior.
A fórmula básica é: tônica + terça maior + quinta justa. Em outras palavras, pegamos uma nota base (tônica), adicionamos a nota que fica a dois tons acima dela (terça maior) e mais a nota que fica a três tons e meio acima da tônica (quinta justa) para formar o acorde.
Por exemplo, no acorde de Dó maior (C), as notas são C (dó) como tônica, E (mi) como terça maior e G (sol) como quinta justa. Esse conjunto de notas tocadas juntas dá o som característico do acorde maior.
Para não complicar: você não precisa decorar agora todos os intervalos teóricos. Basta saber que “maior” se refere a esse tipo de construção (com a terça maior), o que resulta no som alegre do acorde.
Com o tempo, ao tocar, seu ouvido vai aprendendo a distinguir esse som “feliz” dos acordes maiores.
Identificando acordes maiores em cifras
Quando você olha uma cifra ou diagrama de violão, identificar acordes maiores é simples.
Normalmente, usa-se apenas a letra maiúscula do acorde para indicar que ele é maior.
Por exemplo, “C” significa Dó maior, “G” significa Sol maior, e assim por diante. Já os acordes menores vêm com um “m” minúsculo depois da letra (por exemplo, “Am” para Lá menor).
Além disso, vale lembrar que no Brasil usamos tanto as letras quanto os nomes tradicionais (Dó, Ré, Mi…). Assim, você verá equivalências como C = Dó, D = Ré, E = Mi, F = Fá, G = Sol, A = Lá e B = Si. Essas sete notas correspondem aos principais acordes maiores naturais, sobre os quais falaremos a seguir.
Principais acordes maiores do violão
Os acordes maiores mais básicos e utilizados no início do aprendizado de violão são aqueles correspondentes aos acordes naturais (sem sustenidos ou bemóis). São eles: C, D, E, F, G, A, B, que correspondem a Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si.
Aprender essas formas abre caminho para tocar centenas de músicas populares. Vamos conhecer cada um desses acordes maiores, com dicas de postura e diagramas para ajudar você a montar as posições no violão.
Acorde de Dó Maior (C)

O acorde de Dó maior, representado pela letra C, é um dos primeiros que muitos violonistas aprendem. Ele possui um som bem aberto e é bastante usado em músicas populares.
Para montar o C no violão, posicione o dedo 1 (indicador) na 1ª casa da 2ª corda, o dedo 2 (médio) na 2ª casa da 4ª corda e o dedo 3 (anelar) na 3ª casa da 5ª corda como mostrado no diagrama acima.
As cordas 3 (Sol) e 1 (Mi agudo) ficam soltas e devem soar, enquanto a 6ª corda (Mi grave) normalmente não é tocada na batida, pois a nota mais grave que queremos ouvir é o dó da 5ª corda, que é o baixo desse acorde.
Ao tocar o Dó maior, certifique-se de posicionar bem os dedos para que todas as cordas necessárias soem limpas, sem abafar.
É normal sentir um pouco de dificuldade no alongamento entre os dedos no início (os dedos precisam “se esticar” por três casas diferentes). Com prática, vai ficando mais confortável.
Uma boa dica é praticar a montagem de dó maior montando e desmontando o acorde, isso ajuda a memorizar a forma de dó maior. Depois que você ficar bom nisso, pratique a troca de acordes.
As notas que formam o acorde (C) são C, E e G (dó, mi, sol), como mencionamos antes.
Experimente tocar cada corda individualmente para garantir que todas estejam soando. Aos poucos, o som do Dó maior vai ficar familiar ao seu ouvido e soará cada vez mais limpo.
Acorde de Ré Maior (D)

O acorde de Ré maior (D) é outro muito comum e tem um formato compacto no braço do violão.
Para fazê-lo, coloque o dedo 1 (indicador) na 2ª casa da 3ª corda, o dedo 2 (médio) na 2ª casa da 1ª corda (a corda mais fina) e o dedo 3 (anelar) na 3ª casa da 2ª corda.
Toque também a 4ª corda solta (Ré), que é a tônica e também o baixo do acorde. Evite tocar as cordas 5 e 6 nesse acorde, elas devem ser abafadas ou ignoradas.
O acorde D é formado pelas notas D, F# e A (ré, fá#, lá). Pratique a troca de Ré maior para Lá maior (A) ou Sol maior (G), já que essas combinações aparecem bastante em várias músicas.
Acorde de Mi Maior (E)

O acorde de Mi maior (E) tem uma vantagem: você pode tocar todas as cordas do violão, e ele soará completo! Para montá-lo, coloque o dedo 1 (indicador) na 1ª casa da 3ª corda, o dedo 2 (médio) na 2ª casa da 5ª corda e o dedo 3 (anelar) na 2ª casa da 4ª corda.
Note que as cordas 6 (Mi grave), 2 (Si) e 1 (Mi agudo) ficam soltas e devem ser tocadas, no caso do Mi maior, o fato de a 6ª corda solta ser um Mi (a tônica) significa que você obtém um som bem encorpado ao tocar todas as cordas.
Mi maior é frequentemente um dos acordes musicais mais fáceis para iniciantes, porque a posição dos dedos é relativamente natural e todas as cordas permitidas soam bem.
Ainda assim, tome cuidado para não deixar os dedos tocarem cordas vizinhas de forma indevida.
Mantenha os dedos em posição vertical (use as pontas) e pressione próximo aos trastes da frente para evitar trastejamento.
As notas do E maior são E, G# e B (mi, sol# e si). Esse acorde tem um timbre forte e brilhante.
Uma dica: experimente alternar Mi maior (E) com Lá menor (Am) para sentir o contraste entre um acorde maior e menor, você vai notar como o Mi soa feliz, estável, enquanto o Am soa triste, melancólico.
Como esses dois acordes tem a mesma forma, o mesmo desenho, fica mais fácil fazer essa troca de acordes.
Acorde de Fá Maior (F)

O acorde de Fá maior (F) é famoso por ser o “terror” dos iniciantes, porque requer a técnica da pestana. Isso significa usar o dedo indicador esticado para apertar várias cordas ao mesmo tempo.
Na forma tradicional de Fá maior, você faz uma pestana cobrindo todas as seis cordas na 1ª casa com o dedo 1 (indicador), e então posiciona o dedo 2 (médio) na 2ª casa da 3ª corda, o dedo 3 (anelar) na 3ª casa da 5ª corda e o dedo 4 (mindinho) na 3ª casa da 4ª corda.
No início, tocar Fá com pestana exige mais esforço dos dedos e do braço. É normal o som sair abafado nas primeiras tentativas. Não desanime!
Alguns truques podem ajudar: posicione o indicador bem reto e próximo ao traste da frente, concentrando a pressão principalmente nas cordas 6, 2 e 1 (que precisam mais da força do indicador). Os demais dedos ajudarão a apertar as cordas do meio.
Mantenha o polegar firme atrás do braço do violão para dar apoio e pressione com firmeza, mas sem tensão desnecessária (relaxe o ombro e o braço). Com o tempo, seus dedos vão ganhar força e memória muscular, e o acorde Fá sairá limpo.
Uma alternativa para iniciantes é tentar o Fá com pestana parcial, pressionando apenas as duas primeiras cordas com o indicador em vez de todas (e tocando somente as cordas 1 a 5). Esse formato simplificado pode servir enquanto a pestana completa não soa bem.
O acorde F é formado pelas notas F, A e C (fá, lá, dó). Quando você conseguir tocá-lo claramente, terá desbloqueado um grande passo no violão, pois a partir do formato de F (e também de B, que veremos adiante) você poderá montar muitos outros acordes pelo braço usando o mesmo desenho de pestana.
Acorde de Sol Maior (G)

O acorde de Sol maior (G) é outro queridinho dos iniciantes. Ele utiliza todas as seis cordas, isso facilita na hora de tocar.
Para montar o G, coloque o dedo 1 (indicador) na 2ª casa da 5ª corda, o dedo 2 (médio) na 3ª casa da 6ª corda e o dedo 3 (anelar) na 3ª casa da 1ª corda.
As cordas 4 (Ré), 3 (Sol) e 2 (Si) ficam soltas. Ao dedilhar, você pode tocar todas as cordas, repare que a nota mais grave, Sol na 6ª corda, é a tônica do acorde, dando uma base firme ao som.
Muitos alunos estranham inicialmente a abertura da mão exigida pelo Sol maior, já que há um espaçamento grande entre os dedos 2 e 3.
É normal sentir que falta flexibilidade nos dedos para segurar essa forma. Vá com calma:
ajuste a posição do polegar atrás do braço (não deixe ele muito alto, para não prender sua mão) e tente posicionar cada dedo o mais próximo possível do traste correspondente, sem encostar nas cordas vizinhas.
Com prática, o G maior ficará confortável, e você terá em mãos um acorde lindo, presente em incontáveis canções de diversos gêneros.
As notas do acorde G são G, B e D (sol, si, ré). Após dominar o G, experimente trocá-lo com D e C para treinar, pois essas mudanças de acorde são muito frequentes.
Acorde de Lá Maior (A)

O acorde de Lá maior (A) tem uma forma relativamente fácil, concentrada em um único bloco na segunda casa do violão.
Para montá-lo, você vai pressionar três cordas na mesma casa: use o dedo 1 (indicador) na 2ª casa da 4ª corda, o dedo 2 (médio) na 2ª casa da 3ª corda e o dedo 3 (anelar) na 2ª casa da 2ª corda.
Isso mesmo, todos os três dedos ficam apertando a segunda casa, apenas em cordas diferentes (4ª, 3ª e 2ª).
As cordas 5 (Lá) e 1 (Mi) ficam soltas e devem soar, enquanto a 6ª corda (Mi grave) é geralmente abafada ou evitada, já que a nota mais grave do acorde que queremos é o Lá da 5ª corda.
Como os três dedos estão espremidos na mesma casa, alguns iniciantes sentem a mão meio apertada ao fazer o Lá maior.
Se seus dedos são muito grossos, você pode tentar pequenas variações: por exemplo, algumas pessoas preferem inverter a ordem dos dedos (usar o médio no lugar do indicador, etc.) para encaixar melhor.
O importante é que todas as três notas pressionadas soem claras e que nenhuma corda solta esteja sendo abafada sem querer.
Dica: toque cada corda do acorde A individualmente para ver se alguma está bloqueada; ajuste os dedos se necessário, talvez inclinando-os levemente para acomodar todos na casa 2.
A sonoridade do Lá maior é bem vibrante. Suas notas são A, C# e E (lá, dó# e mi).
Acorde de Si Maior (B)

Por fim, temos o acorde de Si maior, representado pela letra B. Esse acorde é conhecido por exigir um pouco mais de esforço, pois , a forma padrão envolve pestana na 2ª casa.
Essencialmente, o Si maior pode ser encarado como o formato do Lá maior que acabamos de ver, porém deslocado duas casas para frente no braço do violão.
Para montá-lo, faça uma pestana com o dedo 1 (indicador) cobrindo as 5 primeiras cordas na 2ª casa (da 1ª corda à 5ª).
Em seguida, posicione o dedo 2 (médio) na 4ª casa da 4ª corda, o dedo 3 (anelar) na 4ª casa da 3ª corda e o dedo 4 (mindinho) na 4ª casa da 2ª corda.
A tríade desse acorde é: B, D# e F# (si, ré# e fá#). Toque apenas da 5ª corda para baixo, a 6ª corda (Mi grave) deve ser abafada ou evitada, já que não faz parte do acorde (alguns violonistas encostam levemente a ponta do indicador na 6ª corda para abafá-la enquanto fazem a pestana).
Assim como o Fá maior, o Si maior (B) é tecnicamente um acorde com pestana (neste caso, na 2ª casa).
Muitos iniciantes têm dificuldade no começo, então não se preocupe se o som sair xoxo inicialmente.
Uma alternativa para começar é usar o acorde B7 (Si com sétima), que é ligeiramente mais fácil, e depois evoluir para o B maior completo.
Entretanto, com prática consistente, você conseguirá fazer o B maior limpo. Lembre-se de aplicar as mesmas dicas do Fá: pressionar bem com o indicador, usar as pontas dos outros dedos e manter a mão relaxada.
Com o tempo, seus dedos ganham força e o acorde Si maior ficará tão acessível quanto os demais.
Dominar esse acorde vai ampliar muito o número de músicas que você consegue tocar, então vale o esforço!
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Dicas para tocar bem os acordes maiores
Conseguir um som limpo e bonito em cada acorde requer boa técnica na mão esquerda (ou direita, se você for canhoto invertendo o violão). Aqui vão algumas dicas importantes para ajudar você a tocar os acordes maiores com clareza:
- Use a ponta dos dedos: Ao apertar as cordas, utilize a parte durinha da ponta do dedo, e não a parte achatada. Assim você evita encostar em cordas vizinhas sem querer.
- Dedos curvados e firmes: Mantenha os dedos levemente curvados, como se estivesse segurando uma bolinha imaginária na mão. Isso ajuda cada dedo a apertar apenas a corda desejada.
- Polegar como apoio: Posicione o polegar da mão que faz os acordes atrás do braço do violão, mais ou menos na metade do braço, em posição vertical. Ele funciona como um “apoio” para você fazer pressão nas cordas com os outros dedos.
- Pressione o suficiente, mas sem tensões: Não é preciso “esmagar” a corda contra o braço. Pressione apenas o necessário para sair som limpo, fazer força extra só vai cansar sua mão à toa e não melhora a sonoridade. Relaxe o ombro e o braço para não tensionar demais.
- Ouça cada corda: Ao montar um acorde, toque devagar corda por corda para conferir se todas estão soando. Se alguma estiver abafada ou trastejando, ajuste a posição do dedo correspondente (mude ligeiramente o ângulo, aproxime do traste, ou curve mais o dedo).
- Evite toques indesejados: Cuidado para não encostar partes dos dedos em cordas que não deveriam ser apertadas. Por exemplo, no Lá maior, a palma da mão não pode abafar a 1ª corda; no Ré maior, o dedo anelar não pode encostar na 1ª corda, etc. Pequenos ajustes na postura corrigem isso.
Seguindo essas orientações, seus acordes soarão cada vez mais limpos e definidos, mesmo os mais desafiadores como Fá ou Si.
Como praticar os acordes maiores no violão
Tão importante quanto saber montar um acorde é conseguir trocar entre acordes rapidamente e no ritmo da música. Aqui estão algumas dicas de prática para você evoluir sua troca de acordes e fixar bem os acordes maiores:
- Comece com poucos acordes: Escolha dois ou três acordes maiores (por exemplo, G – C – D, ou A – D – E) e pratique montá-los e desmontá-los lentamente.
- Treine trocas simples: Toque um acorde, depois passe para o próximo, e volte, repetidamente. Por exemplo, faça várias trocas de C (Dó) para G (Sol) e de volta para C. Isso cria memória muscular das posições.
- Toque bem devagar: No início, toque os acordes em ritmo bem lento, prestando atenção se todas as cordas soam limpas a cada troca. A clareza é mais importante que a velocidade no começo.
- Use músicas fáceis: Tente tocar uma música simples que use apenas os acordes que você está praticando. Mesmo que você ainda demore para trocar, toque acompanhando devagar. Assim, você treina em contexto musical (é mais divertido também!).
- Aumente a velocidade gradualmente: Conforme for ficando confortável, vá acelerando um pouquinho as trocas. Mantenha um ritmo constante, use um metrônomo se possível e desafie-se a trocar os acordes no tempo certo. Com o tempo, você conseguirá trocar sem nem pensar.
- Pratique diariamente: É melhor praticar 10 ou 15 minutos todos os dias do que uma vez por semana por uma hora. A constância ajuda seus dedos a memorizar as formas dos acordes.
Lembre-se: é normal errar e se embolar nas trocas no início. Faz parte do processo! Com repetição e paciência, seus dedos vão “decorar” onde devem ir e os acordes maiores vão fluir naturalmente quando você tocar.
Conclusão
Os acordes maiores do violão são a base para tocar uma infinidade de músicas. Eles trazem aquela sonoridade alegre e harmoniosa que é o alicerce de muitas progressões musicais.
Neste guia, exploramos desde o que define um acorde maior e como reconhecê-lo, até as formas de montar cada um dos acordes maiores fundamentais (C, D, E, F, G, A, B) e dicas práticas para tocar e trocar entre eles com facilidade.
No começo, pode parecer desafiador, especialmente acordes como Fá ou Si que exigem pestana, mas com prática consistente e paciência você com certeza vai dominar todos eles.
Lembre-se de aplicar as técnicas de postura, treinar devagar e aumentar a velocidade aos gradativamente.
Aos poucos, seu esforço será recompensado: aquilo que era difícil vira algo automático.
Agora é só pegar seu violão e praticar! Foque nesses acordes maiores, toque músicas simples que os utilizem e divirta-se no processo. Com dedicação, você estará tocando suas músicas preferidas e explorando novos acordes antes que perceba.





